Espero mesmo.
(fonte: http://www.femininocomarte.blogspot.com/) - Postado por: Diii às 23h45 [ ] [ envie esta mensagem ] ... " .. Ambos eram avezinhas com asas quebradas que buscavam voar agarrando-se a um outro pássaro com asas quebradas. As pessoas que se sentem vazias jamais se curam fundindo-se com outra pessoa incompleta. Pelo contrário, dois pássaros com asas quebradas, unidos em um, voam desajeitadamente. Paciência nenhuma os ajudará a voar; e, ao final, cada um deverá se separar do outro, e os ferimentos, imobilizados com talas separadas. "
Irvin D. Yalom, em O Carrasco do Amor
- Postado por: Diii às 23h35 [ ] [ envie esta mensagem ] (Arquivo..)
Eram 21h. Ela tomou um banho rápido, aos prantos. Saiu com os olhos inundados de lágrimas doloridas, abasteceu o carro sem olhar para o frentista (que já tinha percebido seu estado mesmo) e viajou. Duas eternas horas de profunda solidão e desespero. Ás vezes a estrada parecia tremer, de tanto que as lágrimas insistiam em lavar seu rosto. Ela tentava segurar, mas não conseguia. Então parece que o tempo se comoveu, e a chuva fina e fria começou a cair. Será? Estava ouvindo um CD, em que dias atrás tinha gravado com músicas que gostava, e que agora tinham se tornado hinos de amargura.
Finalmente, depois de aproximadamente duas horas, chegou ao seu destino: um apartamento em que se encontrava uma pessoa pela qual se apaixonara um dia, uma vez. Entrou. Discutiu. Xingou, até a mesa. Jogou sua bolsa no chão. Sentou no sofá, achava que era um sofá, era sim. Pensou em tudo que ainda tinha por dizer e travou. Seus pensamentos estavam em perfeita desordem. Desconexão total com a realidade. O mundo parou, sim, por alguns segundos e todas as lembranças más invadiram sua alma sedenta de amor. De um amor que deixara de existir há muito tempo. Mas que de certa forma estava ali, não sabia como, mas estava. Gritava. Queria sair e não conseguia. Batia nas paredes do coração, mas este cansou de não ser ouvido.
Então calou-se e adormeceu. Ela recupera seu fôlego perdido por segundos eternos e acaba tudo. Tudo que não existiu. Tudo que não aconteceu. Tudo que já eram cinzas. Acabou com o nada que passara a conviver com ela sem que pedisse autorização. Voltou para o carro e decidiu acabar com a própria vida, pois esta tinha acabado há cerca de um ano, mas apenas agora se deu conta da morte que carregava em suas costas. O peso iria tornar-se tão leve a ponto de não mais acordar e sentir.
Mas acordou. Não sabia ao certo onde estava. Haviam muitas flores, de todas as cores, formas e tamanhos. Não havia ninguém, apenas flores. Muitas flores. E ela... apenas odiava flores.
.. Algum mês de 2006 .. - Postado por: Diii às 23h16 [ ] [ envie esta mensagem ] 08/12/2007
Me faz entender? (Parte I)
Me faz entender. Por favor. Me faz entender como você sempre sabe. Me faz entender como você sabe a hora que eu acordo. Me faz entender como você sabe todas as coisas que me irritam. Me faz entender como você sabe o que eu gosto de jantar, principalmente, nos dias frios. Me faz entender como você sabe o que estou lendo. Me faz entender como você vai estar sempre aqui dentro, naquele lugar. Me faz entender como você sabe o jeito que eu gosto de sentar no cinema. Me faz entender como você não sabe disfarçar.
Me faz entender como você ama a mesma banda que eu. Me faz entender como você se encaixa no meu quebra-cabeça. Me faz entender como você foi embora, várias vezes, às cinco da manhã - só pra me fazer dormir e não ter que se despedir. Me faz entender como você consegue ignorar o tempo presente. Me faz entender como você aguenta essa sua rinite, chata. Me faz entender como você adora basquete - e surf. Me faz entender como você ri do meu ciúme. Me faz entender como você meche nesse CorelDraw.
Me faz entender como eu gosto daquele seu sorriso de canto, safado. Me faz entender como você não sabe brigar. Me faz entender como você é calmo - e me deixa também. Me faz entender como você lê meus pensamentos - todos. Me faz entender como você ignora o amanhecer. Me faz entender como você se despediu àquela manhã. Me faz entender como você fala comigo sem proferir uma só palavra. Me faz entender como você só usa essa marca de tênis. Me faz entender como você conseguiu tornar minhas noites dias de sol.
Me faz entender como você sempre diz o que estou pensando. (Que raiva). Me faz entender como você gosta daquele shampoo branco e verde. Me faz entender como você sabe meu humor. Me faz entender como você sabe que eu amo sua barriga.
Me faz entender como você - sempre - vai saber de tudo. Por favor. - Postado por: Diii às 23h12 [ ] [ envie esta mensagem ] SOBRE ROUBAR .. Ainda estou sem reação pela notícia que a Mari
me deu: roubaram o carro de seu pai com cheques, dinheiro, documentos e .. toda
uma esperança. SIM, esperança também. Poxa, você deixa SEU carro na frente da
SUA casa, para almoçar e de repente .. “plim”! Nada de carro. Tudo de
desesperança. Insisto nesse roubo de esperança porque acho complicado mesmo.
Depois que me roubaram, praticamente, o quarto todo na época em que fazia
faculdade - onde tudo era mais difícil ainda – senti minha esperança, sobre
várias coisas, indo por “água abaixo”.
Fiquei dias sem reação alguma. Sentindo-me
roubada, mesmo. Apenas respondendo aos impulsos externos.. pois os internos
sumiram – pelo menos por um tempo. Senti-me invadida, traída, lesada,
injustiçada. Não consegui dormir por dias com medo de que alguém invadisse meu
espaço, novamente, e me roubasse o pouco que tinha restado. Na verdade, eu
torcia mesmo é para que os taizinhos voltassem e roubassem o medo e indignação
que deixaram cravados nas minhas noites. Sacanagem de qualidade.
Uma das piores sensações que, infelizmente, já
tive foi de sentir-me invadida. Roupas jogadas na cama. Jóias zeradas. Sem TV.
Sem som. Sem esperança sobre a justiça humana. (Porque na divina eu ainda
acredito). Sem saber o porquê de tudo. Existia por quê? Quando então começo a
acreditar – alguns anos depois - que as coisas poderiam ser melhores.. roubam
meu carro. A mesma sensação de “nada” volta com força total e me derruba feito
sei lá o que.
Desculpem, mas além de não gostar de não sentir
responsabilidade (ou seria domínio a palavra correta?) sobre os “próprios bens”,
odeio invasão de privacidade. Porque foi isso que aconteceu em todas as vezes:
INVASÃO DE PRIVACIDADE. Tenha dó. Você trabalha para tentar pagar suas coisas.
Passa maior parte da vida trabalhando e estudando. Agüenta professor chato.
Chefe mal-humorado. Pai cobrando responsabilidades aqui. Vó cobrando moralidade
lá. E no meio disso tudo você pensa que se fizer tudo certo vai ter uma vida
normal – na melhor das hipóteses. Pois bem, aí vem um sujeitinho descarado e
rouba você ou alguém próximo. (Estou falando daqueles do pior caráter possível,
aquele que você vê na TV e torce para que ele se ferre mais ainda.. ou vocês
acham que uma pessoa que rouba esperança alheia é digno de algo bom?)
Tá bom vai. Eu seiiiiii que o problema é muito
mais complexo do que pareceu este breve comentário sobre a situação. Falta
educação, ou melhor o direito a este substantivo. Falta acesso à cultura. Faltam
escolas. Livros. Professores. Pais. Mães. Falta trabalho também. Falta justiça.
Falta carinho. Falta fé. Falta gente decente.
Mas sobra também. Sobra delinqüente. Sobra
crianças no semáforo. Sobra desejo infantil não realizado. Sobra droga para o
tráfico. Sobra “Bruna surfistinha”. Sobra bunda em programa dominical. Sobra
funk vazio para cabeças idem. Sobra igreja iludindo gente solitária. Sobra gente
má. Sobra cartão corporativo (quer um?). Sobra dindin na reitoria da UnB – o
lixeiro do gabinete do reitor custou apenas R$950,00.
Com tantas “sobras” e “faltas” talvez seja
melhor que eu fique com meu sentimento um tanto quanto.. vazio. - Postado por: Diii às 18h04 [ ] [ envie esta mensagem ]
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