" .. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto (…) ” [Caio Fernando Abreu]



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Clarissa me entende.

" .. Eu era linda e loira e cheia de medos. Você era lindo e tinha o cabelo encaracolado e disse que me queria na sua vida. Fiquei meio atônita, fiz tudo aquilo que nós sabemos, você fez tudo aquilo que também sabemos e aí a história aconteceu de um jeito para mim e de outro para você. Fim. Espera, antes do fim teve o meio: você me queria para sempre. E quis brincar de casalzinho. É, você perguntou o que a minha família acharia se eu fosse morar com você. Então não te levei nada a sério. E você casou com outra pessoa. E, quando me dei conta, estava no caixa da Cultura pagando sei lá quanto por um livro cujo título é “Por que os homens se casam com algumas mulheres e não com outras?”. Enquanto eu passava as noites de sexta engalfinhada com o tal livro e alguma bebida colorida e vagabunda e lenços de papel úmidos e amassados e fotos nossas quase destruídas e o nariz completamente vermelho e endubido, você devia estar em algum lugar da Europa, em uma inesquecível lua-de-mel, com a sua esposa de olhos verdes.

Doía, mas eu procurava me manter por dentro da sua vida. Procurava notícias, perguntava e buscava entender alguma coisa, mas nunca entendia nada. Terminei o livro de capa azul e não entendi por que os homens se casam com algumas mulheres, e não com outras. Quando dei por mim, lá estava eu na Cultura de novo. No caixa. Pagando por um livro de auto-ajuda. Título? Tente adivinhar. “Do que os homens gostam”. Sei que alguns gostam de mulheres com tendências piranhísticas. Outros gostam de Amélias. Outros de loiras. Outros de morenas. Outros, até, nem gostam de mulher. Terminei o segundo livro, lá pelas tantas descobri que acabei com o estoque de lenços de papel do mercadinho lá da outra quadra. Apelei para o papel higiênico mesmo. Mas meu nariz é sensível, estava em estado de calamidade pública. Pobre bicho. Foi quando me olhei no espelho e não me reconheci. Você sabe o que um pé na bunda faz com uma mulher? Não é o pé na bunda em si, mas o que há por trás. Tem todo aquele complexo de rejeição, a paranóia do o-que-ela-tem-o-que-ela-faz, a sensação de sonhos estragados, o sentimento de perda de controle, fora a pena que você sente. Pena de você mesma. Coitada de mim, sofrenilda master, o que farei sem aquele que era o mais idolatrado? Não sabia o que fazer, mas fiz. Volta para a parte em que, um belo dia, me olhei no espelho. Vamos de novo: era uma linda tarde - de algum mês que não lembro - quando encontrei um monstro gordamente moreno e sardento como reflexo.

Sou loira desde que nasci, mas fiz a burrice de pintar o cabelo, essa coisa que mulher faz quando é deixada, largada. Não importa se o cara te disse “tô te deixando” ou se ele saiu porta afora ou se simplesmente nem te deu satisfação. Ele te deixou. Ele te trocou. É isso que importa. A gente pira, quer cortar ou mudar a cor do cabelo ou, ainda, pintar as unhas de preto e virar dark. No fundo, nem sabemos, só queremos mudar de cara. E de vida. E de coração, talvez. Acho que não queremos é olhar com olhos reais os nossos olhos que estão tristes. Só pode ser isso. Tapeia aqui, tapeia ali, pronto, ignora o problema. Então eu pintei o cabelo. Primeiro foi castanho claro, depois foi castanho escuro. Ficou quase preto, eu parecia a Branca de Neve (sem nenhum anão para ajudar a contar o final da história).

Eu devia ter tomado choque, talvez fosse melhor ter enfiado os dois dedos molhados na tomada. Em dois anos fiz a minha vida virar um inferno. Relacionamentinhos furados, muito trago, cartas que viraram churrasco, insônia, dificuldade imensa de fazer voltar ao normal a cor da juba, talvez eu tenha ganho uns pés de galinha, vai saber? E o principal: vinte e três quilos a mais. Nem grávida engorda isso. Você sabe: quando a auto-estima está quase inexistente e você leva um susto ao ver que está mal-acabada-mente gorda.com.br o que acontece? Você come mais, dorme mais, bebe mais. Em outras boas e diretas palavras: você termina de se foder. Sozinha, lógico. Bem sozinha, pois o bonitão está lá com a super mulher, na super casa, com o super trabalho, os super amigos, os super cachorros, a super piscina, a super cama, a super sala. E, de alguma forma, com o seu super coração.

Por entre as frestas de brigas, desculpas, agressões, revoltas e recordações, surgiu uma pequena luz. Não preciso explicar que quando nós gostamos de alguém qualquer luz vira esperança. De que a pessoa mude. De que você mude. De que tudo mude. Tentei entrar no seu jogo, se é que havia algum jogo, sabe como é, nosso pensamento é que nem roda gigante. Fica andando em círculos, pára. Anda, pára. E começa tudo de novo. Você pode até pensar que fez de tudo, mas o lado de lá certamente terá outra visão. Quem inventou que tudo tem dois lados? Se alguém descobrir me avise, eu enforco.

Eu queria - muito - ser importante para você. Acabei esquecendo que não há nada que possa ser forçado, pelo menos em matéria de amor. O amor não força, ele liberta.

Bem no final de tudo eu entendi que precisava, enfim, me libertar. E acabei descobrindo que ninguém vale o preço da minha auto-estima, pois demorei sete meses para mandar toda aquela banha embora .. "
 



- Postado por: Diii às 18h14
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Proposta nada indecente.

Tirei daqui ó:

http://umavidamildestinos.blogspot.com

 



A proposta:


Você vai passar exatamente um ano em uma ilha deserta, onde existe uma certa infra-estrutura, mas é limitada. Além de você não haverá mais ninguém na ilha, mas você terá acesso a alguns privilégios limitados. Com isso em mente, seguem as perguntas:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?

Carne assada (cupim) e Krot.

2. Além da água (e, também com sorte, água de coco - se você estiver disposto(a) a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?

Coca-colaaaaaa.

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você leva?

Ai... acho q tirava umas páginas de todos q tenho e montava um.

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?
Doce Novembro.

 

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Você não pode usar um programa de comunicação (como e-mail ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por que?

Word. Para escrever.. escrever e.. escrever.

6. Você poderá acessar a Internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias (o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por que?

Orkut. Para saber de tudo!!

 

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?

Levaria Pearl Jam Unplugged

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por que?

Ligaria para minha Vó, no Natal, para que ela não se preocupasse excessivamente e para que pudesse desejar Feliz Natal – e de certa forma estar presente, como todos os anos até hoje.

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistir ao longo deste ano na ilha - limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?

Grey’s Anatomy.

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?
Gostaria de receber uma carta da minha tia dizendo que todos que amo estão bem, inclusive o York – meu dog.


11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia. Que tipo de animal você escolhe e por que? É um animal que você já tenha?

Meu cachorro York. Sem dúvidas.

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas? Tecnologia? Não saber o que está acontecendo no mundo? Etc…)

Acho que da tecnologia.. rsrs.. das pessoas eu tiraria férias.


13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?
O tempo que terei pra saber quem eu sou de verdade e me adaptar a isso..

 

14. Por fim, você tem direito a levar três outros itens à sua escolha que:
a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anteriores

b) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo. O que você vai levar e por que?

Caso não tivesse na ilha, levaria: escova dental, Close-up vermelhaaaaa, desodorante. Preciso escrever o por quê?

 

Se tivesse na “infra-estrutura” da ilha esses itens, então levaria: óculos de sol, minhas havaianassss e um biquíni.

Tb precisaria de um porquê ou já está explícito? Hahaha..



- Postado por: Diii às 18h30
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Minha verdade sobre a cor "roxa".

Ela nunca foi minha cor favorita e até o presente momento não faz parte da lista. De verdade. Mas sempre foi a da minha irmã-linda-que-amo-incondicionalmente. Ela sempre gostou. Se pudesse teria todas as roupas roxas. Todo o quarto. Todos os materiais de aula. Todas as pulseiras e brincos. Todas os pratos e garfos. Talvez conseguisse convencê-la a tons variáveis.. mas de rooooxoooo, é claro.

 

Então.. ano passado, no meu quarto (em SP) pintei uma das paredes de roxo também. Nãooooo... repito que não é minha cor preferida. Mas é a cor preferida da minha purple Thaty. Que na ocasião citada estava a eternos 800 Km de distância - física.

 

Hoje tenho certeza de que a cor na parede era pra que eu tivesse, ou sentisse, a presença dela ali no meu "mundinho". Demorei, mas entendi e aceitei a importância dessa cor em minha vida. Sim: em minha vidaaaaa. Depois da primeira parede, veio a cor da sombra que nunca tinha usado. Veio o cachecol - roxo - que fiz pra ela e pra mim. Iguais, em tamanhos e pontos. Veio o par de meias roxas que comprei - mas estas pra ela.Também optei por diversas vezes pelo roxo nas unhas - tons metálicos e foscos. E veio, também, o primeiro camisão em cetim - roxo.

 

Ontem pintei a segunda parede roxa da minha vida. Agora que organizei as coisas de verdade, mudei-me para meu novo (meio velhinhooo na verdade.. ) quarto. Mas esse meu novo "mundinho" precisava de algo. Algo que não estava presente - mas que gritava aqui dentro. Então a idéia da parede e do roxo se fundiram automaticamente. Plimmmmm.

 

A primeira demão está ali me olhando. Manchada como toda primeira demão. E linda. Preguiçosa. Do lado da cama. Daqui a pouco vou pintar a segunda camada. Vai ficar mais forte. Mais presente ainda. Se ainda ficar manchada, pintarei a terceira e assim por diante. Até ficar completa. Roxaaaa de verdade, tá?? Até que eu possa olhar todo dia e sentí-la presente. Como um presente. Como alguém que sempre fará parte do meu mundo. Da minha vida. Que estará ali nos meus piores e melhores momentos. E por mais que não fale nada - estará ali. E sei que me entenderá. Que me apoiará mesmo quando discordar de tudo. Mesmo quando me ouvir chorando e não puder fazer nada. Absolutamente nada. E eu saberei respeitar sua "impossibilidade" diante dos fatos..

 

Senti cada pedaço que pintei. Cada gota que ficou no pincel. Ou no chão. Cada excesso de tinta escorrendo. Cada deslize que parou na parte branca. Cada pedaço não alcançado. Cada diferença de tonalidade perceptível. Cada parte escorrida na lata. Na escada. No cabelo. Na sombrancelha. No travesseiro. No esmalte vermelho ainda presente em minhas unhas. Na porta e na cabeceira da cama.

 

Mas não tem problema. Fiquem aí. Entendi. De uma vez por todas, entendi.

 

E sendo assim, você está aqui. Em tudo que eu consegui, propositalmente ou não, fazê-la presente. E o mais importante de tudo "isso" é que não importa o espaço físico que ocupe. O espaço aqui dentro sempre será, infinitamenteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee maior.

 

OBS hilária: Tinha falado pra minha Vó que pintaria de outra cor e ela falou:

- IIIIIii... nem pensar. Tá louca? Branco está bom. Pintei ano passado. (Ela é do tipo tradicional - em tudo, sim.)

- A Sra. tá duvidando??!!??

- Pare com isso..

Ontem quando terminei a primeira demão.. chamei e mostrei. Silêncio. Minha cara de paisagem. Ela com cara de "você-não-tem-jeito-mesmo" disse:

- Você não sabe que essa cor é de morto?

Eu:

- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Vó!! Tá louca? Agora vai me dizer que morto tem cor? Tenha dó...

Ela sai e acredito que tenha ido rezar pedindo para algum santo me "proteger".

(Relaxaaaaa grandmother, meu santo é forte!!! Hahaha...)



- Postado por: Diii às 18h53
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