A realidade do meu conto.
Nunca perdi sapatinho de cristal em escadaria - no máximo alguns saltos nas baladas. Nunca tive carruagem também. Meu motorista era pago assim que terminava “a corrida” – o-tio-do-táxi-claro. Caronas muitas. Nunca tive cabelos compridos a ponto de poder jogar minhas tranças. Aliás, não sou muito fã de tranças. Nunca fiquei a ponto de “ressuscitar” com um simples beijo. Mas já me apaixonei assim. Um beijo e plim-plim. Abdução total. Fada-Madrinha? Nem sei o que é isso. Mas sei que sempre aparecem para ajudar a moçinha e moçinho – da estória. No filme Schrek também aprendi que nem sempre elas são boazinhas. Príncipe encantado? Já acreditei que pudesse existir, sim. E já acreditei também em alguns que usaram a fantasia por muito tempo. Mas nunca achei que ele viria em cima de um cavalo – branco, preto ou azul. Todo esse blá-blá-blá para dizer que não acreditomaisemcontosdefadas.com.br. Lógicooooo que eu pedia sempre para minha mãe reler as estórinhas. Mas ela nunca lia. Devia ser por isso que sempre pedia. E foi dessa negaça, por parte dela, que comecei a aprender a ler muito cedo. Mas voltando ao assunto dos eternos e-foram-felizes-para-sempre, a verdade é que não espero que minha vida – ou meus amores - se torne tema de livro-infantil-com-final-obrigatoriamente-feliz-pra-sempre. Definitivamente, não tenho menor vocação para Cinderela. Talvez uma leve feição de Branca de Neve – única e exclusivamente - pelo tom branco-de-verdade que a moçoila aqui possui. De Rapunzel mesmo só a cor dos cabelos. De Bela Adormecida? Só o sono semi-eterno. De Fiona? A intensidade de seu amor. De Bela? O dom de atrair feras-devoradoras-de-corações. De Dama? Só a capacidade eterna de adorar o jeito malandro de um Vagabundo. Mesmo não acreditando mais em um monte de coisas, eu ainda não perdi minha capacidade de amar até doer. É. Também já achei que nunca-mais-amaria-alguém-como-aquele-que-seria-o-homem-da-minha-vida. A verdade é que nunca mais amei mesmo. Não daquela forma. Mas de outra(s). Muito diferentes, digo hoje. Meus amores nunca foram os mesmos, e afirmo que nunca serão. Descobri em mim a capacidade incondicional de amar. E de várias formas, cores, sorrisos e camas. Estou – independente de estado civil – com o Homem do meu momento. Da minha noite e possivelmente da minha manhã de domingo. O Homem com quem tenho vontade de dormir abraçadinha. O Homem que soube dobrar no meio e guardar numa caixinha de fósforos minha birra quando quero algo. O Homem que não me dá corda quando estou num-dia-daqueles-que-a-gente-implica-até-com-o-carro-parado-no sinaleiro. O Homem que não te prende por que sabe que seu coração já tá com a batida diferente. O Homem que se você cantar “ .. me deixa que hoje to de bobeira..” , ele vai dizer que tá tudo bem. O Homem que, mesmo você sendo uma ciumenta-neurótica-surtada, não vai mudar de personalidade. Não sei se vamos ser felizes-para-sempre. Mas seremos felizes até onde conseguirmos. Até onde quisermos. Até onde nossas vontades permitirem. Até doer. Até onde o sentimento couber. Até onde as risadas couberem. E vai ter, sim, espaço para brigas. Discussões de relação, a tal DR – como diz a Mari. Vai ter espaço, sim, para eu achar que ele só faz algumas coisas porque têm 21 anos. Ou porque gosta de pagode. Ou porque ele-é-assim-e-não-vai-mudar. Ou porque estamos distantes, fisicamente, por alguns míseros oitocentos-kilômetros-de-distância. Não, quando o vi pela primeira vez, não visualizei nenhuma luzinha piscando em seu ombro esquerdo, como Mônica Buonfiglio acredita ser a forma de detectar nossa alma gêmea. Por um tempo também tentei encontrar a tal luz em vários príncipes mascarados. Mas desencanei. Meus sapos estavam com a conta de luz vencida e não paga por mais de 30 dias. Ou numa voltagem diferente da minha. Ou essa coisa de luzinha é psicológica. Ou eu que, inconscientemente, queria acreditar em metade da laranja. E eu o amo, sim. Não só, mas principalmente, pela forma com que me faz acreditar todos os dias que a gente tá aqui nesse mundo é pra ser feliz. - Postado por: Diii às 22h21 [ ] [ envie esta mensagem ] Sim, eu sou ciumenta. Risqué é a marca. Beijo, seu nome. São essas características que definem a cor do esmalte vermelho que, agora, contrasta com o branco dos meus pés. Tomando banho fiquei olhando. Pensando. É a segunda vez na vida - repito NA VIDA - que pinto as unhas dos pés de vermelho. Alguns meses atrás enquanto a pedicure passava a base, olhei para a cestinha de esmaltes e disse:
- Hoje vai ser esse.
(Como ela sabia da minha negação para tal cor nas unhas dos pés, deu aquele sorriso de-não-estou-acreditando.) Unhas pintadas. Pés trocando de lugar com a testa. Porque era nesse lugar que eu sentia eles. Não sei, passado "o susto", respirei fundo e me distraí com alguma coisa. No outro dia acordei - sim - com as mesmas unhas pintadas de vermelho do dia anterior. Olhei com cara de é-isso-mesmo? E então fizemos as pazes. Essa foi um das minhas opções que deram certo. Consegui ser a moça-que-hoje-pinta-as-unhas-dos-pés-de-vermelho. E olha que nem doeu. Tá tudo bem assim.
Mas tem uma coisa - sentimento é o nome - aqui dentro de mim que não muda. Já tentei. Já dormi pra tentar acordar diferente. Já prometi para todos os Santos - que minha vó reza - ao menos tentar. Já tentei querer também. Já comprei livro de auto-ajuda. Já tentei ignorar. Já me culpei por ser assim também. Já me xinguei. Já quis nascer de novo e sem ele. Já culpei a genética. Já culpei meu primeiro amor. Já fui à psicóloga. Já achei que tinha mudado. De verdade. Tentei. Tentei de novo. E de novo. E mais um pouquinho. E mais um montão também.
Mas não deu. Sou ciumenta siiiiiim. E nem é anônima não. É assumida. Infelizmente, de coração. Felizmente, consciente. Não consigooooooooooooooooooooooooooooooo. É complicado. Sei disso. Já passei por várias situações que poderiam ter sido amenizadas não fosse esse meu jeito de "querer" demais as pessoas.
Não sei se é consequência (não, não acho que seja justificativa) do modo infinito de sentir-gostar-amar-ter-querer-pegar. É assim que acontece. É assim que aconteço. Se te gosto, te quero pra mim. Não dou. Nãnãninãnão. Não empresto. Não alugo. Brigo se preciso for. Se não for, brigo também. E não é só físico não. É químico também. Mas não é hormonal, companheiras! Não sofro de TPM, não. É meu neurotransmissor adrenérgico que convida seus múltiplos irmãos gêmeos para A Festa. Tá booom. Podem continuar lendo que já pareiiiii com a parte fisiológica do assunto.
Só sei que hoje, doeu. Mais que o "normal". Mais que o tentar-suportar-ao-menos. A festinha da adrena (lina) deixou a sujeira toda aqui para eu limpar. E tá difícil viu. Não sei se até amanhã dou conta de zerar o salão. Cada vez que penso que amanhã a festa poderá ser pior, desanimo. Porque sei que vai doer de novo. Vai machucar. Vai me fazer escutar músicas deprê's . Vai me fazer pensar se tudo - realmente - vale a pena ou a galinha toda. Vai me deixar com um aspecto hostil. Vai zuar com tudo que parecia ter se encaixado. E, mais uma - das milhares de vezes - choro. Seguro. A lágrima rola sem eu piscar. Tento adiar, mas ela cai mesmo assim. Borra o delineador. Borra o rímel. Panda em acão.
Sei que não posso - nem quero - colocar todos que amo numa redoma de vidro e jogar dentro da bolsa. O que meu coração não admite é que tentem competir por sentimento - de verdade. Não ousem competir com meu sentimento. Ele sempre - repito SEMPRE - será o melhor e maior do mundo, independente a quem for destinado. Sou assim. Não é pra gostar. É apenas pra saber - caso haja interesse.
E assim sigo. Ciumenta. Ciumentona. De doer. E dói.
- Postado por: Diii às 23h16 [ ] [ envie esta mensagem ]
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