" .. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto (…) ” [Caio Fernando Abreu]



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- não é opcional.

 

 

É que amor não basta. Não completa. Não satisfaz. Não "enche a barriga". É que o amor - sozinho - não faz verão. Precisa-se bem mais que quatro letras pra se construir um relacionamento. Precisa-se de reciprocidade. Compreensão. Tesão. Paixão. Gelinho na barriga. Abraço apertado. Beijo molhado - com língua perdidas. Beijo na testa também vale. Precisa-se de mãos entrelaçadas. De noites quentes. E frias também.

 

E eu preciso de tudo isso e mais um pouco. Ou mais "um muito". Preciso de mensagens bobas. De silêncios falantes. De declarações silenciosas. De gestos imprevisíveis. Inesperados. Ousados. Preciso de sexo também. (Você não? Sai dessa, vai.) Preciso também que me leve no McDonald's e roube todo meu catchup. Preciso de milkshake do Bob's com gosto de verão. Preciso da minha Havaiana jogada em cima de outra que não seja a minha. Preciso da cama bagunçada de manhã só para lembrar do motivo.

Não acabou ainda. Calmaaaaaaaa. Preciso de muito mais coisas - que nem ao menos sei se cabem em mim.

 

Preciso de cheiros. De cores. De viagens. De olhos grandes. De barba mal feita. De elogios. De verdades. De uma respiração - e transpiração - diferente da minha. Preciso acordar com um beijo. Preciso sonhar - se for acordada, melhor. Preciso de alguém que me espere na rodoviária - mesmo não tendo a certeza de que chegarei. Preciso também de um ciuminho bem bobo. De um cineminha. Com pipoca e guaraná diet. (Vc leu certo sim: guaraná diet.)

 

Mas o que mais preciso - e não abro mão - nesse meu mundo de "CARÊNCIAS" é da digníssima C-O-N-F-I-A-N-Ç-A. Sem ela não rola. Meu amor não sai do lugar - nem com guinchoooooooo - sem a boazuda aí. É co-dependente mesmo. Viciadinho de carteirinha. Creio que sejam irmãos siameses. (Desses casos em que se optar por uma separação, morrem.) São diferentes, sim. Personalidades distintas. Horários diferentes. Origens mais diferentes ainda. Não sei o que acontece. Mas é assim que funciona. É assim que funciono, caros. Não existe ciência que troque a genética disso tudo que mora aqui em mim. Sorry.

 

MAS SABE O QUE É? É que amor não basta.

 



- Postado por: Diii às 22h29
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E sou feliz assim.

 

Lembro-me bem de como eu era a Srta. Correta. Sim, euzinha da Silva. Acordava todas as manhãs no mesmo horário, vestia o uniforme, tomava café, abria o portão da garagem e esperava meu pai dentro do carro. Chegava no colégio sempre adiantada. Tenho recordações de quando ficava sentada na escada do "Salão Nobre" esperando minha amiga Débora. Algumas veze, esperei também pela Eliseane. Dificilmente, chegava depois delas. Meus professores eram os Senhores da Manhã. Mandavam. Eu fazia. Fazia por não querer sofrer as consequências de um colégio que hoje posso classificar como totalitário. Hierárquico. Conservador. Católico. Ético. Metódico. Político. 

 

Tive medo de alguns professores, sim. Especialmente de uma V_ _ _ gorda que me deu aula de matemática na quinta série. Ela foi minha visão do inferno por muitos meses. Não conseguia prestar atenção no que a teacher falava. Seu tom de voz me irritava. Então eu sentava na última cadeira da classe e fingia prestar atenção na monstra. E quando ela se virava para escrever no quadro (é eu sou malvada, e daí?) seu traseiro-gelatinoso-em-expansã-lateral-contínua me irritava mais ainda. E pasmem: suas calças eram justérrimas. Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Tá. Parei. Ponto. Páragrafo. Começa a ler na linha nova.

 

Acreditem, além de aprendiz-de-malvada eu era uma pessoa exemplar. Tudo limpinho. Uniforme impecável. Cabelo escovadinho-extremo-volumoso. Tênis sempre limpinhos. Cadernos encapados. Canetas sempre com tampas. Borracha limpa. Material de aula organizado no dia anterior. Estudos adiantados. Horas de estudo cronometradas. Até meus rascunhos eram impecáveis. Não faltava aula nem por decreto. Doença não me fazia obedecer atestado médico. É. EU ERA ASSIM MESMO: discípula da quase-perfeição.

 

Mas a discípula aí de cima cansou desse mundo perfeito-demais-pra-ser-verdade e deixou pra trás a fantasia de mulher-maravilha. Seus medos começaram a ser seus melhores amigos. Então ela matava aula com seu clube-da-lulu e ficava conversando com o inspetor. (O que não a impediu de continuar sendo uma das melhores alunas da classe.) Fazia festa de terça à segunda. Criou mundos reais para cada ser que se fez presente nesta época tão ímpar. E foi aí que suas asas apareceram. E fizeram-na voar. A ser gente de verdade. A bater o pé. A gritar. A beijar. A lembrar que as ordens mais importantes deveriam vir de dentro. Aprendeu que o melhor e maior amor é - infinitamente - o próprio. Que o melhor homem é aquele que te faz sorrir. Que o melhor dinheiro é o conquistado. Que os melhores pais do mundo podem não ser os seus.

 

Nessa transição irreversível, também aprendeu que as melhores palavras são as sinceras. Que as melhores noites são àquelas que começam pela manhã. Que o melhor cansaço é a consequência de uma escolha bem feita. Que pessoas estúpidas não merecem palavras doces. Que pessoas más continuarão sendo más - principalmente com elas próprias. Que um coração pode amar várias vezes - e de várias formas. Que amor de verdade nunca acaba - se transforma. Que as pessoas mentem, sim. Que o amor por um cachorro pode surpreender. Que uma melhor amiga pode ser bem melhor ainda - longe. Que pessoas casam por dinheiro e se dizem felizes. Que a política sempre será suja. Que as religiões se multlipicarão para todo-o-sempre.

 

 

Mas desde que esta discípula aprendeu a ser ela mesma - nunca mais quis ser diferente. E nem conseguiu. Porque nunca pensou em tentar.



- Postado por: Diii às 23h04
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