" .. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto (…) ” [Caio Fernando Abreu]



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Ho ho ho ho ..

Lembro bem daquela véspera de Natal. Eu e meus pais (minha irmã ainda não estava nos planos), chegamos em casa e nos preparávamos para dormir. Meu pai fechava o portão da garagem enquanto minha mãe dava comida pro cachorro. (Miss You, Pudinho!) Eu usava um "conjuntinho" azul - horrível. Estava - como qualquer criança - ansiosa para saber o que Papai Noel traria pra mim. Então não conseguia dormir e levantei com o barulho da porta de trás da casa. Fui até lá e vi meus pais conversando baixinho no quartinho-de-passar-roupa. Mudaram de fisionomia quando me viram. Eu devia estar descabelada mesmo, mas não justificava a alteração em suas faces. Trocaram de assunto. Mas foi quando meu pai me olhou e riu - com aquela risada que traduz "ali tem" - que eu soube que algo muito ruim (pelo menos pra mim) aconteceria. Fiquei na sala sentada pensando. O que estava acontecendo? Papai Noel tinha dito que não viria mais? Fui péssima menina durante o ano? Mas minhas notas foram excelentes! Fiz muita bagunça? Desobedeci?

E quando meus pais foram para o quarto, eu silenciosamente voltei lá no quartinho-de-passar-roupa. Precisava saber o que tava errado. De cara identifiquei uma sacola amarela de plástico, enorme. Com uns dizeres em preto. Essa sacola não estava ali à tarde. Tinha certeza. Respirei fundo e chegando mais perto consegui ver. Eram vários jogos infantis. Os mesmos que havia pedido, ao então Papai Noel. Minha expressão ficou botoxizada até o momento em que minha mãe pegou no meu braço e perguntou o que eu estava fazendo ali. Não precisei responder, meus olhos falaram - como sempre.

Meus pais tentaram, inutilmente, me convencer que o bom velhinho tinha passado antes da meia-noite porque ainda tinha várias casas pra visitar. Há! Como eles estavam acreditando mais do que eu, dei um sorriso e fui deitar. Leia de novo: deitar.

Deitei de barriga pra cima. Olhei para o teto. Não conseguia me ver, mas sabia que minha cara e meu coração estavam decepcionados. Papai Noel não existia. Nãoooo existiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Como assim? Me belisca. E eu que briguei no colégio quando me disseram que eram meus pais que davam os presentes? Ai, que burra. Mas a minha verdadeira decepção não era de fato com a inexistência do Noel. Era com meus pais. Que me enganaram por anos com aquela farsa. Como assim? Então eu sou chantageadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa o ano todo para ser-uma-boa-menina-secar-louça-arrumar-a-cama-obedecer-e-não-quebrar-a-janela-do-vizinho-com-uma-pedra e o objetivo principal nem existe? E aquelas crianças que escrevem pra ele? E as Hennas? E a roupa vermelha com bordas brancas? Como assim? As lojas também mentiram? É. Todo mundo mentiu. E foi minha pior véspera de natal - pelo menos até a data de hoje. Foi difícil aceitar que as duas pessoas em que mais confiava, mentiram pra mim. Me fizeram acreditar em algo que nem elas próprias acreditavam. E eu acreditei. Com a maiúsculo.

Passado "alguns" anos, entendo melhor a sensação que, por uma noite, me tirou o sono e a esperança. A sensação "estranha" sentida, hoje tem seu nome próprio: Decepção.

Então a gente cresce. Estuda. Estuda. Mata aula. E estuda de novo. Faz amizades. Faz cara feia também. Dá uns beijos. Se faz de difícil. Fica. Pega. Namora. Namora. E, namora.  Conheces pessoas e Pessoas. E depois de se achar adulta pensa que está imune à decepções. Oras, como uma mulher independente-bonita-formada-vacinada-dona-do-próprio-narizinho pode se decepcionar, AINDA?

É. A pior parte da história é que a gente (ou eu???) sempre vai se decepcionar com as pessoas. E com as mentiras "delas" também.

Mas o blá-blá-blá todo aí não foi à toa, pessoas. Foi apenas pra mostrar de uma forma VERDADEIRA que eu ainda, burramente-ingenuamente-idiotamente, acredito nas pessoas. Principalmente, naquelas que passam meses fazendo você acreditar em algo que nem mesmo elas acreditam.

 

 

 

 

P.S: Querido Papai Noel, esse ano eu fiz tudo direitinho. E como eu acho que o Sr. vai trazer o que eu pedir, aqui vai. Na verdade eu não quero que o Sr traga nada não. Apenas que leve a maldade das pessoas para o mesmo lugar que o Sr. mora. Pois sei que lá onde o Sr. mora é bem difícil de achar né? (Será que é por isso que as pessoas nunca acham o Sr.?)

Beijos e até dia 25.



- Postado por: Diii às 22h31
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Trimmmmmmmmmmm - Nobody's Home.

 

 

 

Lendo o texto do blog da digníssima Clarissa Corrêa sobre telefone(mas) e afins, tive vontade de escrever sobre tambééémmm. Lá vou euuuuuuu!!!

 

Bem lá nos meus 15 aninhos eu achava, sim, que telefone era brinco. Trabalho de quê? Telefone. Será que a Elô vai lá no jogo comigo? Telefone. Pai, a mãe pediu pra comprar leite! Telefone. Que roupa você vai? Telefone. Elôooo... aquele FDP ficou de ligar e não ligou!!! Telefone. Pai, me leva ao dentista? Telefone, always. Pedir pizza? Telefone. Ver onde a mochila de rodinhas está mais barata? Phone. Tirar dúvida em véspera de prova? Claro, telefone. Aff.. esqueci da resposta da dúvida.. telefone-telefone-telefone.

É. Tive minha fase desliga-esse-telefone-que-não-estamos-ricos. Pra quem ainda não sabe tenho 27 aninhos ( \o/ ) - 12 a mais que na época do surto logo acima citado. AHHHHHHhhhh.. vale a pena relatar aqui também que pós-surto-telefone-fixo também tive o surto celular-é-meu-brinco. Senhoooorrrrr, como enriqueci a TIM!!! Tá. Tudo bem, passou. Vou parar antes que sinta remorso por fazer-sim-uso-abusivo-desnecessário do phone.

 

A verdade é que adquiri verdadeira aversão a qualquer tipo de aparelho e linha telefônica. Sou ótima com números, mas os telefônicos não quero mais não. Odeio atender telefone também. (Cabe aqui explicar que atendo sim, muitoOOOOs durante o período que estou trabalhando. É. Não tem jeito. Faz parte do meu TRABALHO. Ou alguém já viu farmácia sem telefone?)

Mas convenhamos.. pior que atender o telefone é identificar um asno-falante-compulsivo do outro lado. Deusdocéuuuuuu!!!!!!! E aqueles então que falam como se você estivesse visualizando suas mímicas circenses? Seria hilário, não fosse uma verdadeira tragédia - pelo menos pra mim.

Não adianta, não gosto mais de telefone. Nem de qualquer "ligação".

 

Estou alheia a quaisquer tipos de ligações. Tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu ..........

 

 

E então eu declaro: se quiserem conversar comigo, não me liguem.



- Postado por: Diii às 13h46
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